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Ideação volume 11 n 2.pmd

Enviado em: 02/07/2009 - Aceito em: 30/09/2009 RESUMO: Este artigo aborda as contribuições de Roquette Pinto na difu- são da rádio educativa, marcando a primeira iniciativa brasileira de mídiana educação. O discurso sobre mídia na educação foi uma das aspiraçõesregistradas no documento do Manifesto de 1932 como uma proposta pararenovar a educação nacional. Nos ideais dos Pioneiros da Educação Nova, os recursos tecnológicos, como o cinema e o rádio na transmissão dainformação e do conhecimento, seriam eficazes para o processo de demo- cratização da cultura no Brasil. Atualmente, a utilização das mídias na educação e na formação de professores é um discurso presente no espaço escolar, que requer uma reflexão consistente sobre a atuação dos meios de Palavras-chave: Mídia na educação, formação de professores, cultura.
ABSTRACT: This article deals the contributions of Roquette Pinto in dissemination of educational radio, the first Brazilian initiative in media in education. The discourse on media education was an aspiration of theManifest of 1932 as a proposal to renovate the national education. The ideals of the pioneers of New Education, discussed about technological resources, such as cinema and radio to transmit information and knowledge as an effective way for the democratization of culture in Brazil. Currently,the use of media in education and the teacher training is a speech present at school, which requires a consistent reflection on the role of media in teach activities.
KEY-WORDS:Media in education, teacher training, culture.
1 Graduada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Estadual do Centro-Oeste –
UNICENTRO (2009). Mestranda em Educação pela Universidade Estadual de Maringá.E-mail: 2 Graduada em Psicologia pela Faculdade de Ensino Superior Ingá (2007), especialista em
Psicologia Analítica Junguiana (2009). Mestranda em Educação pela Universidade Estadual deMaringá. E-mail: marcia.gomes.psico@gmail.com Professora Associada do Departamento de Teoria e Prática da Educação da Universidade Estadual de Maringá –UEM. É Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1982), graduada em História pela Faculdade Auxilium de Lins (1996), Mestre e 29
Doutora em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mes- quita Filho (1995) DTP/UEM. E-mail: tkteruya@uem.br Iara de Oliveira Gomes- Márcia Gomes Eleutério da Luz - Teresa Kazuko Teruya Introdução
Os discursos sobre mídia na educação não são recentes.
Há quase um século veiculava entre os educadores brasileirosque elaboraram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.
Trata-se de um documento publicado em 1932 que propôsmudanças estruturais para o sistema de ensino no Brasil. Entre as propostas, havia a recomendação de se utilizar o rádio e ocinema na educação escolar. Dos 26 signatários, Roquette-Pintofoi um dos idealizadores que contribuiu na elaboração destedocumento oficial e pela primeira vez propôs uso da mídia naeducação.
Para entender sua trajetória de pesquisador e conhece- dor da realidade brasileira, faremos uma breve biografia deRoquette-Pinto. Nascido em 25 de setembro de 1884, em Botafogo, no Rio de Janeiro, fez medicina na Faculdade do Rio de Janeiro e com 21 anos de idade recebeu o diploma de ba- charel. Além de médico, obteve os títulos de antropólogo, etnólogo, poeta e compositor, no entanto, foi essencialmente Roquette-Pinto iniciou sua carreira científica no Museu Nacional no ano de 1905, como assistente da seção de etnografia e antropologia. Em 1912 iniciou sua viagem pelo Brasil na com- panhia de Cândido Mariano da Silva Rondon e de lá trouxe registros cinematográficos dos Índios Nhambiquaras. Em 1926, tornou-se diretor do Museu Nacional. Após dois anos ingres- sou na Academia Brasileira de Letras, tendo publicado os li- vros: Rondônia de 1917, Seixos Rolados de 1927 e Ensaios deAntropologia Brasiliana de 1933. Sua grande contribuição foia criação da primeira emissora rádio educativa na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1923. Seu objetivo era democratizar o ensino por meio das ondas do rádio que levaria ao interiorbrasileiro um pouco de educação, alegria e informação. (RA- Roquette-Pinto participou da elaboração de uma políti- ca educacional, tornando-se um dos por 26 signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, lançado no anode 1932. Esse documento propôs ações diferenciadas para a 30
administração escolar e a reconstrução educacional. As con-tribuições de Roquette-Pinto para o Manifesto encontram-senas idéias de utilização dos meios de comunicação na prática ROQUETTE-PINTO E O DISCURSO SOBRE MÍDIA NA EDUCAÇÃO educativa com a finalidade de levar o conhecimento científicoao povo brasileiro e a difusão da educação escolar.
A DIVERSIDADE CULTURAL NO SERTÃO BRASILEIRO
O trabalho de Roquette-Pinto, como antropólogo, lhe proporcionou uma relevante experiência cultural e social juntoàs comunidades indígenas localizadas no interior brasileiro. No ano de 1912, ele acompanhou a expedição coordenada porCandido Mariano da Silva Rondon, a qual abriria caminhospara a expansão da comunicação no Brasil. Essas expediçõesserviriam para instalar a fiação telegráfica que se iniciou nofinal do século XIX e início do século XX, trazendo ao país ino- vações tecnológicas como o telegráfico e o rádio. A curiosida-de do antropólogo, segundo Castro (2005), era conhecer o in-terior brasileiro, sobretudo, as peculiaridades de diversas tribos indígenas distribuídas nos estados do Mato Grosso, Acre, Pará Segundo Tavares (1999), Roquette-Pinto ingressou na quarta expedição Rondon infiltrando-se nas selvas da Serra doNorte, onde conheceu e conviveu com a tribo dos Nhambiquaras. O convívio com os nativos possibilitou a ela- boração de um rico material sobre a cultura desse povo cole-tando informações relevantes que foram arquivadas em forma de: partituras, vocabulários, filmes cinematográficos, fichas antropométricas, material etnográfico e fonogramas.
Em sua obra Rondônia, lançado pela primeira vez em 1917, Roquette-Pinto (1950) traz informações sobre a organi- zação social e econômica dos indígenas que conheceu duranteas expedições com Rondon. Ao longo de sua viagem, esta obra evidenciou o espírito multifacetado do antropólogo e revelou um Brasil híbrido. Para ele, era necessário estudar seu país, sua terra, seus animais, seus encantos, suas tristezas para amá-lo conscientemente. Rondônia é considerada um dos mais com- pletos estudos sobre os indígenas brasileiros porque conseguiu obter dados reais e científicos de várias tribos, entre elas a dos índios Bororós, localizados na Serra do Norte, cujas músicas foram gravadas em cilindros de cera que se encontram até hojeno Museu Nacional do Rio de Janeiro.
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Segundo Roquette-Pinto (1950, p. 21), suas experiências não foram suficientes para fornecer informações sobre hábitos, Iara de Oliveira Gomes- Márcia Gomes Eleutério da Luz - Teresa Kazuko Teruya saberes e vivências dos índios, já que elaborou apenas um “ins- tantâneo da situação antropológica e etnográfica”. Ele descre-ve aspectos das tribos que ao conviver com a cultura das gran-des cidades brasileiras, sofreram o processo de modificaçãocultural, alterando hábitos e costumes.
A tribo dos Nhambiquaras, segundo Castro (2005), vivia como se estivesse na idade da pedra. Suas facas eram feitas de lascas de madeiras e os machados de pedra mal polida. Elesnão conheciam cerâmicas (comiam com as próprias mãos), nemtinham redes para dormir (dormiam no chão) não conheciama navegação (atravessavam o rio a nado), portanto, não ti-nham contato com homens brancos e negros. Posteriormente,verificou-se a influência da indústria nas comunidades indíge- nas com a utilização de instrumentos como o machado de aço.
Agora mesmo, os machados de pedra não existem mais na Serra do Norte, cada índio já possui machado de aço.
Riem-se até os Nambikuáras daquele venerável instrumento que, há dois ou três anos, era elemento fundamental da sua vida, derruban- do mel e fazendo roçadas. (ROQUETTE-PINTO, 1950, p.21) As experiências culturais vivenciadas por Roquette-Pinto contribuíram para a formação de uma das primeiras iniciativas brasileiras para a utilização da mídia na educação. Sua ideiaera levar, por meio do rádio, informação para o sertão brasilei- ro que não tinham as mesmas oportunidades educacionais dis- poníveis às populações urbanas. Roquette-Pinto almejava tor- nar o Brasil um país alfabetizado no prazo de cinco anos e, para alcançar este objetivo, ele idealizou a potencialidade pe- dagógica do rádio como um instrumento de difusão do conhe-cimento e da informação.
A expansão do rádio no Brasil, segundo Souza (1996), se inicia após a primeira transmissão radiofônica oficial brasileira que ocorreu no dia 07 de setembro de 1922, na cidade do Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Independência do Brasil. No alto do Corcovado foi montada uma estação de 500 watts, transmitindo de uma forma nítida a fala do entãopresidente, Epitácio Pessoa. Na época, havia no país 80 recep- tores importados dos EUA. Segundo Ferrareto (2001), as pesso-as presentes ouviram as transmissões por meio de alto-falantes.
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O som foi captado em vários pontos da capital federal, entreeles, o Palácio do Catete e alguns prédios públicos de lá foramtransmitidos discursos do presidente e alguns trechos de “O ROQUETTE-PINTO E O DISCURSO SOBRE MÍDIA NA EDUCAÇÃO guarani”, a música de Carlos Gomes, que estava sendo apre-sentada no Teatro Municipal. Ainda de acordo com o autor, após a Primeira Guerra Mundial, as grandes indústrias eletrôni-cas norte-americanas procuravam novos mercados para garantire ampliar seu capital. Entre os produtos exportados, estava orádio que, em virtude de seu alcance, ganhou espaço no Brasil.
A divulgação promovida pelo capital norte-americano atingiuseu objetivo de despertar o interesse dos pioneiros do rádio no Brasil e iniciar a propagação das informaçµes com agilidade.
Desta forma,‘a rádio adentrou o país. No entanto, uma lei do Estado impedia sua plena expansão e proibia os cidadãosde possuíssem aparelhos de transmissão em casa. Para aumen-tar o acesso ao rádio, Roquette-Pinto iniciou uma campanha pelo jornal Gazeta de Notícias pedindo a liberação do rádionos domicílios. Seus argumentos apresentados na transmissãoda Praia Vermelha renderam 536 licenças especiais emitidas No entanto, somente com a implantação de uma rádio no país, forçaria a liberação desta lei. Por isso, Roquette-Pinto, com apoio do Presidente da Academia, Henrique Morize, fun-dava uma rádio educativa com finalidades sociais e científicas, ligadas à Academia Brasileira de Ciências da qual era secretário De acordo com Ortriwano (1985), a radiodifusão no Brasil passou a ser instaurada em 20 de abril de 1923, quando come- çou a funcionar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, umainiciativa comunicativa de Roquette-Pinto que tinha finalida- de exclusivamente educativa. A primeira transmissão experi- mental da Rádio Sociedade ocorreu no primeiro dia do mês demaio, às 20h30min, quando Cauby de Araujo anunciou a de- claração de Roquette-Pinto sobre a fundação da rádio.
No dia 23 de setembro de 1923, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro foi ao ar e com a instalação da radiodifusão sonora no Brasil, foram percebidas as suas possibilidades de aplicação no campo educacional, utilizando-a nas irradiações de palestras, músicas e conferências com conteúdos educativos.
A primeira estação do país, que transmitiu sua programação com regularidade foi situada na Academia Brasileira de Ciênci-as e seu slogan4 era: “Levar a cada canto um pouco de educa- 33
4 slogan é uma frase curta que objetiva a memorização da ideia propagada.
Iara de Oliveira Gomes- Márcia Gomes Eleutério da Luz - Teresa Kazuko Teruya ção, de ensino e de alegria” (PEREIRA, 2001).
Essa regularidade só foi possível quando o governo fede- ral emprestou os transmissores que foram instalados na PraiaVermelha para a Academia. No início a programação da emis-sora não contava com uma equipe de profissionais, portantoera amadora. Para preparar o conteúdo que seria transmitidoaos seus ouvintes, Roquette-Pinto sublinhava as notícias mais importantes dos jornais do Rio de Janeiro, com um lápis ver-melho. As notícias selecionadas eram divulgadas no Jornal daManhã e transmitidas, de segunda a sexta-feira, pela Rádio So-ciedade do Rio de Janeiro. Este programa não possuía umahora definida para iniciar, dependia do momento em queRoquette-Pinto terminasse de ler as notícias dos jornais impres- sos para transmiti-las aos ouvintes (JUNG, 2007).
Segundo Ortriwano (1985), Roquette-Pinto estava con- vencido de que o rádio se tornaria um meio de comunicação em massa. No entanto, nesta época, somente a elite tinha aces- so às programações oferecidas, já que não havia ainda apare- lhos receptores no interior brasileiro, sendo necessário exportá- los do exterior. Neste primeiro momento, segundo a autora, a emissora de rádio recebia apoio financeiro de entidades públi- cas e privadas, além de mensalidades pagas por ouvintes. Nes- sa época, raramente, havia anúncios pagos, porque eram con- siderados proibidos na época. Outra forma de assegurar a ma- nutenção financeira do rádio era ampliar o número de sócios da emissora com as pessoas interessadas.
Com essa experiência de produção e emissão de infor- mações via rádio, Roquette-Pinto ocupou várias funções, to-das elas relacionadas à utilização desse meio para fins culturaise educativos. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências. Participou em 1924, de um Congresso Internacional patrocinado pela Universidade deGoteborg e dirigiu do Museu Nacional em 1926.
Em 1933, Roquette-Pinto convenceu seu amigo a fundar uma rádio-escola, a qual seria mantida pela Prefeitura do Riode Janeiro para que a iniciativa obtivesse sucesso. Emprestou- lhe funcionários e equipamentos da Rádio Sociedade e, assim,a Rádio Escola Municipal foi ao ar em 1934. Roquette-Pinto 34
dirigiu esta rádio e a ocupação do cargo lhe exigia tempo ededicação. Para escapar ao comercialismo que estava invadin-do todas as outras emissoras, inclusive a sua, ele transferiu seus ROQUETTE-PINTO E O DISCURSO SOBRE MÍDIA NA EDUCAÇÃO canais para o Ministério da Educação e Saúde.
Segundo Costa (2004), em 1936, Roquette-Pinto doou ao Ministério da Educação e Saúde a Rádio Sociedade, com acondição de que ela continuasse a ter caráter exclusivamentecultural. O Ministro da Educação, Gustavo Capanema comu-nicou que a emissora seria incorporada ao DIP-Departamentode Imprensa e Propaganda, ao saber desse discurso, Roquette-Pinto enviou-lhe uma carta explicando que a rádio não estava sendo doada ao governo, e sim, à educação do Brasil. E, em 7de setembro de 1936, sua rádio foi oficialmente entregue aoMinistério da Educação e Cultura (TAVARES, 1999).
Roquette-Pinto tinha a intenção de democratizar o aces- so ao conhecimento. Este era o motivo pelo qual defendia a transmissão de programas educativos pelo rádio. Seu objetivoera tentar combater o analfabetismo no país, que apresentavaíndices elevadíssimos. (COSTA, 2004; TERUYA, 2010) Um exemplo dessas iniciativas foi o Projeto Minerva, transmitido pela Rádio MEC, que permitiu a milhares de cidadãos brasilei- ros realizarem seus estudos básicos. Este projeto utilizava a emissora de rádio para levar a cultura e as informações para aspessoas, ajudando-as a desenvolver suas potencialidades. Ou- tra contribuição que só foi possível por meio da dedicação à Educação de Roquette-Pinto em sua época, foi a criação doMovimento de Educação de Base (MEB), que pretendia alfabe- tizar milhares de jovens e adultos, por meio das escolas radiofônicas, principalmente das regiões Nordeste e Norte doBrasil.
Roquette-Pinto foi um representante do nacionalismo e do positivismo que discordava de alguns pensamentos das ci-ências vigentes em sua época. Trazia uma proposta de melhoria da saúde da população, observando a miséria e a pobreza, acre- ditando que a possibilidade de superação para tais problemas estariam na atenção redobrada à educação. Percebia a neces- sidade de se cultivar uma antropologia anti-racista. Pretendeu garantir as condições dignas de trabalho operário e se empe- nhava em afiançar à população, condições básicas de saúde e educação. Apesar de seus objetivos não terem sido totalmente alcançados na época, trouxe uma série de novas experiênciasconsideradas ousadas e inovadoras (PINTO, 2009).
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Suas ideias estavam em sintonia com o pensamento edu- cacional que fundamentavam os princípios norteadores do Iara de Oliveira Gomes- Márcia Gomes Eleutério da Luz - Teresa Kazuko Teruya Movimento dos Pioneiros da Escola Nova de 1932.
PARTICIPAÇÃO NO Manifesto de 1932
O Manifesto de 1932 propôs a reformulação da educa- ção nacional, em um documento endereçado ao Estado e aopovo brasileiro. O texto do Manifesto denuncia a precariedade da educação formal como uma área de maior carência no sis-tema de governo vigente. O problema da educação é ressalta-do como mais grave que as questões de ordem econômica,uma vez que a economia e o aumento da produção, que con-tribui para o progresso de um país, dependem do acesso cultu-ral e educacional da população.
Esse documento tem como premissa a renovação da edu- cação e defende que é possível a escola solucionar seus proble- mas, desde que os transfira da esfera administrativa para o pla- no político-social. Fica sob a responsabilidade do Estado em organizar e garantir o acesso à educação ao povo brasileiro. A educação nova almejava a solução das mazelas educacionais e estabelecer “uma reação categórica, intencional e sistemática contra a velha estrutura, artificial e verbalista” e aderir os fun- damentos e a concepção de educação da Escola Nova. (MANI- FESTO. 1984, p.410). Nessa perspectiva é preciso romper com o modelo tradicional, baseado no empirismo, para propor ações que torne a educação condizente com o regime republicano, instaurado há 43 anos no Brasil, explicitando a necessidade de ‘reconstrução educacional no Brasil’.
[.] Assim, começa-se pelos fundamentos filosóficos e sociais, definin-do-se as finalidades da educação e os valores que as orientam e quenelas se encarnam. Segue-se com as bases políticas administrativas, fixando-se os princípios que devem reger a relação entre Estado e educação e que determinam as características próprias da funçãoeducativa. [.] (SAVIANI, 2008, p. 251 – grifos do autor).
Desenvolver um plano educacional, segundo o documen- to, seria tão relevante quanto acompanhar os avanços do cam-po econômico que constantemente se moderniza para atender às necessidades nacionais. No documento constam argumen-tos que indicam que a origem das mazelas educacionais relaci- 36
ona-se à ausência de um pensar filosófico e, ao mesmo tempocientífico, para solucionar os problemas da má administraçãoescolar. Os problemas pedagógicos, no entanto, não eram ape- ROQUETTE-PINTO E O DISCURSO SOBRE MÍDIA NA EDUCAÇÃO nas esses. A ausência de uma cultura universitária e aimplementação da formação de uma cultura nacional também foram temas amplamente discutidos no documento.
O texto do Manifesto ressalta o problema da falta de uma “cultura própria” que contemple objetivos, planos de reformaou medidas para a educação e sua situação administrativa. Pararesolver esse impasse organizacional, o professor deve estarmunido de sua filosofia educacional que determine os meios e fins da educação, desenvolvendo um ensino multicultural ecapaz de ir além da superficialidade e do efêmero no entendi-mento da vida social. Os sistemas educacionais devem permi-tir aos/às alunos/as o acesso a uma nova concepção educativapara formar uma consciência nacional emancipatória em rela- A educação tem uma função social e deve seguir o prin- cípio de igualdade nas oportunidades de acesso e permanên- cia na escola. A educação nova “se funda sobre o princípio da vinculação da escola com o meio social, tem o ideal condicio- nado pela vida social atual, mas profundamente humano, de solidariedade, de serviço social e cooperação”. (MANIFES-TO.,1984, p. 411). Alguns valores deveriam ser mudados en- quanto outros deveriam permanecer. A educação tem uma fun- ção pública e social sujeitas às modificações promovidas peloEstado e defendida pelas demais instituições sociais. A forma- ção de uma “escola para todos” de essência única e comum deve garantir a acessibilidade ao ensino às crianças e adoles-centes de todas as camadas sociais em idade escolar, entre 7 e 15 anos, como um direito garantido por lei.
Esse princípio igualitário está diretamente vinculado a outros como os da laicidade, gratuidade e obrigatoriedade. A educação laica, conforme o texto do Manifesto (1984, p. 413) “coloca o ambiente escolar acima de crenças e disputas religi- osas”. Independente da situação econômica, a gratuidade ofe- rece ao alunado uma oportunidade de frequentar os bancos O princípio da obrigatoriedade na época do lançamento do Manifesto ainda não havia saído do papel nem mesmo para a educação do ensino primário, que hoje corresponde ao ensi-no fundamental. Era assegurado esse direito, mas a falta de es- 37
colas impedia a realização dessa política. A autonomia do siste-ma escolar era outro problema a ser solucionado. Sua modifi- Iara de Oliveira Gomes- Márcia Gomes Eleutério da Luz - Teresa Kazuko Teruya cação dependia de ações técnicas, administrativas e econômi- cas para direcionar as transformações na diligência educacio-nal sem sofrer interferências externas.
A criação de um sistema nacional de educação era uma proposta unificadora, uma vez que possibilitaria o intercâmbiode informações, abriria espaço para iniciativas educacionaiscom um fim comum: a qualidade do ensino brasileiro. O Ma- nifesto dos Pioneiros da Educação Nova foi um movimentopara modificar as bases da política educacional, configurandoa escola como um espaço privilegiado de conhecimento téc-nico e científico e contra o intelectualismo das grandes obrasliterárias. A intenção do documento era valorizar a formaçãoescolar sem descartar a importância das produções clássicas A formação de professores deveria seguir o princípio de unidade nacional, de liberdade econômica e de autonomia para manter sua dignidade e prestígio. Era imprescindível haver sa- lários satisfatórios às suas necessidades. Nas proposições do Manifesto de 1932, a escola é uma “instituição social” que ser- ve ao interesse público e precisa ser reorganizada para aumen- tar seu raio de atuação e expandir seus limites.
Levar conhecimento e cultura para o máximo de cidades foi proposto por Roquette-Pinto, por meio da emissora de rá- dio Sociedade no Rio de Janeiro. Essa iniciativa de unir os meios de comunicação com a ação educativa, propagada pela Aca- demia Brasileira de Ciências, tinha o objetivo de educar as co- munidades mais distantes das capitais brasileiras, a fim de mo- dificar a mentalidade nacional em um prazo de cinco a seisanos.
A ideia de ser o rádio uma mídia educativa foi contem- plada no documento do Manifesto de 1932, como um recurso para aumentar o acesso à escola. Para isso lança mão dos meiosde comunicação, a fim de expandir o raio de atuação educativa, mas a educação não seria condicionada à estrutura escolar, uma vez que não havia escolas suficientes para a demanda dealunos. Seria, portanto, uma proposta para além do espaço físi- co com o objetivo de educar, informar e divertir àqueles quetivessem acesso ao veículo comunicativo.
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O rádio seria um recurso importante de transmissão de mensagens que possibilitaria a integração com os conteúdosescolares com a empatia proporcionada pelo entretenimento ROQUETTE-PINTO E O DISCURSO SOBRE MÍDIA NA EDUCAÇÃO da linguagem dos meios de comunicação. Essas ideias de unireducação aos meios de comunicação estão contempladas no documento do Manifesto de 1932 ao recomendar a utilizaçãodos recursos midiáticos para a difusão dos conteúdos educativoscom eficácia e dinamicidade.
A escola deve utilizar, em seu proveito, com a maior amplitude pos-sível, todos os recursos formidáveis como a imprensa, o disco, o cinema e o radio, com que a ciência, multiplicando-lhe a eficácia,acudiu à obra da educação e cultura e que assumem, em face dascondições geográficas e da extensão territorial do país, uma impor-tância capital (MANIFESTO.,1984, p.423).
Nessa iniciativa de inserir no contexto educacional as potencialidades do rádio e do cinema, notamos a influência das ideias de Roquette-Pinto nesse documento. A rádio-escolaseria um veículo de comunicação para levar a educação à umagrande quantidade de pessoas do interior brasileiro.
O cinema na educação formal tinha como objetivo auxiliar e facili- tar a tarefa do mestre no ensino científico, geográfico, histórico e artístico. Para dinamizar e abordar assuntos diversos como paisa- gens, obras de arte, episódios históricos, entre outros, os professoresutilizavam as imagens como forma de ilustração de cenários e idéias, mas as imagens na educação ainda não eram definidas como mate- rial didático nas primeiras décadas do século XX, já que os livrosdidáticos eram editados para transmitir o conhecimento científico.
Os relatos fílmicos que Roquette-Pinto coletou na via- gem da Expedição Rondon oferecem contribuições relevantes para o registro histórico da cultura indígena nacional. As mani- festações culturais dessa aventura que marcaram um momentode riqueza etnográfica não são vivenciadas apenas por quem visita o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Trata-se de um sa- ber compartilhado, por meio da utilização do cinema educa- ção, a todos aqueles que quiseram ter acesso a esse meio de CONSIDERAÇÕES
As décadas de 1920 e 1930 foi um período de contesta- ções políticas, econômicas, culturais e sociais no país. O cres- 39
cente processo de urbanização e propagação da comunicaçãono Brasil se iniciou com a instalação de fios telegráficos por Iara de Oliveira Gomes- Márcia Gomes Eleutério da Luz - Teresa Kazuko Teruya diversos pontos do território nacional. Com a criação das pri- meiras emissoras de rádio, sugiram propostas de reunir ideiaspara a formação cultural e social que estavam em discussão nosdiversos setores, sobretudo, o educacional.
O descontentamento em relação às políticas educacio- nais impulsionou a elaboração de críticas ao modelo vigentede educação e foram redigidas em forma de documento, que ficou conhecido como Manifesto dos Pioneiros da EducaçãoNova, lançado no ano 1932. Esse documento, criado por umgrupo heterogêneo de signatários, entre eles, várias personali-dades que não eram educadores, abrangeu diferentes ideiassobre a modificação na organização administrativa escolar. Naprática pedagógica, o documento contempla proposições que sugerem a utilização dos recursos audiovisuais como o rádio eo cinema na educação escolar.
As propostas do Manifesto de 1932 de colocar os recur- sos tecnológicos a serviço da educação aproximam da visão tecnicista de aumentar a eficácia para garantir o acesso à esco- la. Essa iniciativa de levar conhecimento por meio de uma mídia era uma estratégia para alcançar longas distâncias em um país onde as escolas eram poucas e para poucos. O desejo de um Brasil alfabetizado despertou o interesse dos signatários, em especial o idealista Roquette-Pinto, que, em sua experiência com a Rádio Sociedade, procurou levar a educação e a cultura a um grande raio de abrangência com a finalidade de transmi- tir o conhecimento humanizador e não alienante ao povo bra- REFERÊNCIAS
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